domingo, 18 de agosto de 2013

Prontas para guerrear

Prontas para guerrear


Trabalhar é maravilhoso, Independence Woman! Porém, trabalhar em um local onde a figura masculina predomina, é muito estressante. Sofremos preconceito integralmente, temos que ouvir frases ridículas e teorias vazias de atividades que “as mulheres podem e não podem executar” nos limitando através de um discurso irracionalmente elaborado, para ocasionar a exclusão feminina.  Foi pensando nesse fato que me veio à mente a trajetória de Agnés Humbert.  Agnés foi a Historiadora que possuía um cargo importante no Museu Nacional de Artes e Tradições Populares, na belíssima França. Acredito que minha mente foi buscar as lembranças da vida de Agnés por ela ser a Mulher que desafiou Hitler ao criar um jornal chamado Resistência ( seu livro, escrito em forma de diário, tem o mesmo nome), ao mesmo tempo em que divulgava e escrevia panfletos e outros textos com o objetivo de lutar contra o governo de Vichy.

               Agnés conta por meio de uma narrativa corajosa e irônica, a sua resistência diante dos acontecimentos vividos no período de 1940 a 1945. Apesar de ter a consciência dos perigos enfrentados, da humilhação e horrores vividos, ela não tinha medo de enfrentar os oficiais devidamente armados com seus gritos intimidantes. Como resposta a esses momentos, ela sempre tinha uma atitude sarcástica e superior de lidar com os inimigos. E apesar de toda “encenação e picadeiro” montado pelo exercito alemão, ela sempre conseguia irritá-los por demonstrar indiferença e um falso conhecimento dos fatos. Agnés era uma mulher extremamente inteligente que possuía um senso de humor difícil de ser compreendido pelos oficiais do Terceiro Reich. Passou pelas seguintes prisões: CherChe-Midi, Lá Santé e Fresnes. Além de ter feito trabalhos forçados na fabrica “Phirix.” Sobre o seu interrogatório, ela disse o seguinte:

“Todos gritam juntos, enquanto um grande aparelho de rádio transmite, no volume mais alto possível, sei lá que música. É uma algazarra indescritível. Por que diabos me vem à cabeça, a essa altura, o filme dos tempos heróicos do cinema mudo, O gabinete do Dr. Caligari? Sem dúvida o lado irreal dessa cena imbecil, que ao que tudo indica deveria servir para me impressionar, me recorda tudo que o Dr. Caligari tinha de irracional” (Resistência. p.66). Adoro essa parte do livro!

Talvez ela nunca imaginasse que depois de tantos anos, muitas mulheres iriam fazer das suas palavras (de maneira contextualizada) um “mantra” de vida e luta.

Muitos historiadores do sexo masculino insistem em deixar as mulheres de fora das lutas que marcaram a humanidade. Graças aos registros e diários de guerra, nós podemos conhecer a parte omitida em alguns livros. O século que marca a entrada da figura feminina nesse cenário é o século 20. “Em 1917 Maria Bochkareva comandou o Primeiro Batalhão da Morte, um pelotão russo formado somente por mulheres”. É nesse mesmo período que as mulheres começam a ocupar trabalhos que antes eram exclusivamente masculinos; como por exemplo, dirigir ônibus e trabalhar na produção bélica. E como os conflitos não pararam, as mulheres foram se encaixando gradativamente em novas funções. É o caso da 1º guerra mundial e da 2º guerra. Ocupando funções como: oficial de exército, espionagem e decisões estratégicas.
 Outras mulheres que também marcaram esse período

Flora Sanches, a enfermeira que ocupou o cargo de soldado entrando para a história como a primeira mulher a lutar em um exército oficialmente.  “Ela enfrentou as trincheiras como seus camaradas – comeu a mesma comida, dormiu debaixo dos mesmos trapos e dividiu com eles seus últimos cigarros e restos de pão.” Sanches também escreveu um diário.
Vera Atkins coordenou uma rede de quase 500 agentes infiltrados na França Ocupada, tornou-se uma célebre espiã da Segunda Guerra, “além de ter sido a inspiração para o escritor Ian Fleming criar a inesquecível personagem Miss Jane Moneypenny, dos romances de James Bond.”
A francesa Odett Samson foi designada para atuar ao lado do oficial britânico, Peter Churchil, ela também retirava informações estratégicas dos soldados nazistas na França. Foi torturada pela Gestapo e mesmo assim nunca revelou aos inimigos as atividades da SOE (Divisão de Operações Especiais).
Noor Inayat Khan era considerada uma princesa indiana por ser filha de um líder sufi. Alistou-se na Cruz Vermelha e posteriormente juntou-se a Força Aérea Britânica, além de ter sido admitida com espiã. Infelizmente foi capturada e enviada ao campo de extermínio de Dachau, onde faleceu antes do final da guerra.
Violette Szabo fez parte do serviço secreto britânico. Foi presa por duas vezes pela Gestapo e ainda assim conseguiu fugir. Da terceira, não conseguiu obter êxito. Foi enviada a Ravensbrück, onde foi executada.
Yvonne Oddon trabalhava como bibliotecária do Museu do Homem. Envolvida com a criação e divulgação do Jornal Resistência. Foi detida em 1941 na prisão de La Santé.(Era amiga de Agnés)

Essas são apenas algumas das muitas mulheres que arriscaram suas vidas por uma causa nobre lutando não apenas por seus direitos individuais, mas de forma coletiva. Elas ocuparam e conquistaram um espaço que antes ou ainda hoje, a sociedade não consideraria aceitável para o sexo feminino, restringindo dessa forma, nossos atos e nos colocando em uma caixa com um lacre escrito a seguinte palavra: “Frágil”. Foi lendo sobre essas mulheres que pude apenas confirmar o que já sabia, somos diferentes e temos limites diferentes... Uma mulher não pode ser desmerecida porque o homem acredita que seu trabalho é “leve” comparado ao dele. Essas mulheres (assim como algumas mulheres de hoje) ultrapassaram seus próprios limites, enfrentaram seus medos e conquistaram seus objetivos. São dignas de respeito e de serem lembradas!

Referências
Guerras e Conflitos do século 20. Revista História de BBC. Ano1, ed. nº 2.(p.38-41)
HUMBERT, Agnés. Resistência. A história de uma mulher que desafiou Hitler. Agnés 



sábado, 27 de julho de 2013

Plínio Marcos e Michel Foucault: Uma relação ocasionada pelo poder

Plínio Marcos e Michel Foucault: Uma relação ocasionada pelo poder

Para quem gosta de assistir a telejornais para se manter atualizado sabe que infelizmente a violência é um assunto sempre presente. Foi pensando nesse fato que lembrei-me das palavras do escritor contemporâneo Plínio Marcos em entrevista a Jô Soares, quando se referia a essa temática em sua obra Navalha na Carne. Ele disse o seguinte: “Nessa situação em que o país se encontra a peça vai virar um clássico”. Essas sábias palavras foram ditas em 1988, estamos em 2013 e a violenta realidade não se modificou positivamente. Partindo desses dados eu posso concluir que suas obras continuam fazendo sentido na compreensão da sociedade.
 Plínio Marcos é um escritor contemporâneo muito respeitado e admirado, mas nem sempre foi assim. No passado ele sofreu muito preconceito por trazer em suas obras uma característica única e crua de relatar o cotidiano. Foi censurado no tempo da ditadura militar e após a ditadura, continuou sendo censurado pela mídia e críticos elitizados. Suas obras: Querôuma reportagem maldita, O abaju Lilás, Dois perdidos numa noite suja, Navalha na Carne e A mancha roxa são as minhas preferidas. Elas falam da realidade renegada pela sociedade; sua abordagem mostra de forma impactante a difícil e desumana forma de vida desconhecida de alguns de nós(estou inclusa) e presenciada pelas pessoas que vivem “a margem social”. Ele fala “daquele homem que só come da banda podre, das pessoas que moram a beira do rio e que quase se afogam cada vez que chove” (Plínio Marcos em entrevista a Jô Soares em 1988).

     Plínio Marcos fez parte do teatro alternativo e do movimento sociocultural Geração Mimeógrafo, que buscava uma forma diferente de expor sua arte diante de tantas proibições políticas e censuras. Apesar de ser um dos mais importantes dramaturgos desse país, Plínio Marcos dizia que a sociedade o marginalizava por ele trazer em seus livros assuntos ignorados. Ficou desempregado e passou a vender seus livros em restaurantes, filas de teatro, nas ruas, praças etc. Em sua contribuição intelectual ele nos mostra a relação do poder dentro da sociedade como algo que serve de método para punição e que pode variar entre violência física, imposição e domínio para controlar o outro. Foi neste momento que identifiquei uma relação entre a ficção literária do escritor em questão e a teoria de Michel Foucault. 
“De Foucault até Plínio Marcos muito poder pode ser colocado em questão.” Foucault trouxe um estudo mostrando o poder de forma dinâmica, as diferentes tecnologias do poder. Plínio abordou esse poder dinâmico em suas obras; saímos da teoria e vamos para a ficção espelhada na realidade. Plínio escreve de forma naturalista trazendo uma metáfora do poder entre classes sociais; no uso do desconhecido para dominar o outro e na vingança usada por aqueles que vivem a “margem” da sociedade, procurando modificar a situação de dominado para dominante usando de métodos violentos.
Ambos escritores tinham em suas respectivas escritas uma preferência por figuras que estão à margem do padrão aceitável socialmente. Foucault escreveu sobre os leprosos, os criminosos, os desviados, os hermafroditas, os assassinos etc. Plínio Marcos escreveu sobre personagens com doenças venéreas, preconceito, viciados, assassinos, drogados, prostitutas etc. Essas pessoas lembradas por Foucault são representadas na ficção criada por Plínio Marcos. O ponto de encontro na escrita dos dois é percebido quando nós, na condição de leitores reflexivos, concluímos que tudo tem poder, a palavra tem poder. O poder é mutável, ele passa de uma mão para outra excluindo a maioria e favorecendo um padrão criado por uma minoria dominante. Foucault foi o primeiro a colocar no discurso a questão do poder, visto que antes não tinha sido explorado dessa forma. Ele, assim como Plínio Marcos, analisou a sociedade em momentos diferentes, contudo, essas diferenças se unem para contribuir de forma considerável com o contexto atual.



Gente, desculpas pela demora na postagem! Processo de mudança e muito trabalho!Aos poucos vou atualizando os emails recebidos e visitando os blogs que tanto gosto!

Beijos!!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A Rainha do Crime

Na literatura há diferentes tipos de narrativas, no entanto, a que eu mais gosto é o romance. Talvez seja pelo fato dele apresentar várias personagens envolvidas entre si, por uma trama conflituosa que gradativamente vai construindo o enredo. Por meio de uma perspectiva panorâmica podemos perceber que novos tipos de narrativas foram sendo criadas, permitindo a abertura de lugares não explorados. Foi dessa forma que o Romance Policial conquistou seu espaço nas narrativas, modificando-se conforme a sociedade que o contextualiza.

Neste gênero literário, os escritores mais tradicionais (os “clássicos”)  que tiveram algumas de suas obras recriadas ao estilo Pastiche, são os de nacionalidade inglesa. (Pastiche é a imitação de um estilo ou de vários estilos. O livro de Jô Soares, O Xangô de Baker Street, é um Pastiche de Sherlock Holmes). Hoje, quero falar sobre a escritora inglesa que é referência em Romance Policial, Agatha Christie. Possuindo um histórico de causar inveja em qualquer escritor, Agatha é autora de oitenta romances que foram traduzidos para 45 idiomas. Ou seja, a “bagagem” dela é bem pesada...

Quando um querido leitor (Thyago) deste blogger me disse de forma direta que gostava de Agatha Christie, eu entendi o recado e cuidei logo em fazer a postagem. Porém, fazia muito tempo que eu não lia nada da escritora em questão. Então, tratei logo de refazer a leitura optando pelos livros: O Natal de Poirot e Assassinato no Expresso do Oriente. Ambos possuem o inteligente e mais famoso personagem criado por Agatha, Monsieur Poirot.
Para fazer a leitura e entra no clima do suspense, escolhi ler os livros durante a madrugada, melhor horário para um silêncio absoluto e uma pequena claridade, além de ser um clima propício para uma leitura carregada de intrigas, mentiras, espanto, mistério, medo, morte... Agatha Christie me envolveu em uma trama condensada, me senti encantada e traída por uma desordem misturada com falsos indícios e detalhes minuciosos que passaram despercebidos. O enredo é construído com a genialidade de quem conhece o assunto, desmistificando o crime perfeito e causando-me uma sensação de que um ato fora do comum (um crime)  que atinge o bem estar social, deve ser punido. 
Há na trama algo que nos remete a realidade, essa sensação é percebida por causa da verossimilhança entre os assuntos que são recorrentes da sociedade e a cientificidade utilizada pelo detetive para desvendar o caso. No fim consegui compreender o porquê de tanto sucesso. Agatha Christie deixou sua criação literária registrada na história da literatura, atribuindo-lhe uma característica de cânone por sobreviver às modificações sociais. 

Beijos!






sexta-feira, 28 de junho de 2013

As 10 mulheres que marcaram a história da literatura

As 10 mulheres que marcaram a história da literatura

Última parte!!!

Nossa! Essa postagem completa deu muito trabalho! Horas e horas de leituras, estudos e pesquisas...Bom, vamos lá!



Adélia Prado

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
Desses que tocam trombeta, anunciou:
Vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
Esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
Sem precisar mentir.
Não tão feia que não possa casar,
Acho o Rio de Janeiro uma beleza e
Ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
(dor não é amargura).
Minha tristeza não tem pedigree,
Já a minha vontade de alegria,
Sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Na prosa e na poesia de Adélia podemos encontrar assuntos relacionados à religiosidade e a vida cotidiana feminina. Sobre sua criação literária ela diz o seguinte: "Alguns personagens de poemas são vazados de pessoas da minha cidade, mas espero estejam transvazados no poema, nimbados de realidade. É pretensioso? Mas a poesia não é a revelação do real? Eu só tenho o cotidiano e meu sentimento dele. Não sei de alguém que tenha mais. O cotidiano em Divinópolis é igual ao de Hong-Kong, só que vivido em português." 
Essa citação me faz lembrar as palavras de Afrânio Coutinho quando diz que “a literatura é a transfiguração do real”. A realidade recriada através da imaginação, inspiração e dos sentidos do artista. É dessa forma que Adélia nos faz sentir-se diante de um espelho!





Clarice Lispector

Quando penso na Clarice as primeiras palavras que surgem em minha mente são: genialidade, complexidade, intensidade e excentricidade. Ela é incrível! Suas obras fazem uma sondagem psicológica para tratar o interno do ser humano e questões existenciais relacionadas à angústia. É impossível falar de Clarice sem citar o termo Epifania. “O termo Epifania não aparece em sua obra, mas sua presença pode ser notada pela atmosfera criada pelas escolhas lexicais como: “crise”, “inferno”, “assassinato”, “náusea”, “nojo” etc. Ou seja, são pontos de ruptura do sujeito com o cotidiano através de uma função reveladora.
Trecho do Conto Amor

“O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas. Na Rua Voluntários da Pátria parecia prestes a rebentar uma revolução, as grades dos esgotos estavam secas, o ar empoeirado. Um cego mascando chicles mergulhara o mundo em escura sofreguidão. (...) Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que esta não explodisse. Mantinha tudo em serena compreensão, separava uma pessoa das outras, as roupas eram claramente feitas para serem usadas e podia-se escolher pelo jornal o filme da noite - tudo feito de modo a que um dia se seguisse ao outro”.
(...)

“Não havia como fugir. Os dias que ela forjara haviam-se rompido na crosta e a água escapava. Estava diante da ostra. E não havia como não olhá-la. De que tinha vergonha? É que já não era mais piedade, não era só piedade: seu coração se enchera com a pior vontade de viver”.


Obrigada pela participação e pelo carinho de todos!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

As 10 mulheres que marcaram a história da literatura Parte IV

As 10 mulheres que marcaram a história da literatura
Parte IV








Simone de Beauvoir

É a principal teórica do movimento feminista. Em seu livro, O segundo sexo, ela analisa a visão e o papel da mulher na sociedade. Em suas obras aborda questões relacionadas ao existencialismo, responsabilidade, ação e vida matrimonial na perspectiva feminina. Beauvoir acrescenta em sua produção literária elementos autobiográficos; nesse sentido é importante enfatizar sua autobiografia Memórias de uma moça bem comportada e o ensaio Balanço final.

Trecho do livro O segundo sexo


“Simone de Beauvoir, constatando a realidade ainda imediata do prestígio viril, estuda cuidadosamente o destino tradicional da mulher, as circunstâncias do aprendizado de sua condição feminina, o estreito universo em que está encerrada e as evasões que, dentro dele, lhe são permitidas. Somente depois de feito o balanço dessa pesada herança do passado, poderá a mulher forjar um futuro, uma outra sociedade em que o ganha-pão, a segurança econômica, o prestígio ou desprestígio social nada tenham a ver com o comercio sexual. É a proposta de uma libertação necessária não só para a mulher como para o homem.”





Raquel de Queiroz

 Raquel de Queiroz foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Sua prosa é escrita de maneira dinâmica, sobretudo quando se trata da técnica discursiva podendo ser relacionada com a narrativa da novela de tradição popular. Essa forma de “contar” os fatos se torna mais prazeroso para o público. Raquel trabalha aspectos que demonstram uma preocupação social, como a seca no Nordeste; inspiração ideológica, econômica e política. A personagem Conceição de O Quinze vive uma crise de identidade e autonomia diante de uma sociedade patriarcal, recusando o amor de Vicente.

Sobre a criação Literária

“Romance é como gravidez. Aquilo fica dentro de você, crescendo , incomodando, até sair. Quando falo que meus filhos saem em intervalos de quinze anos, não estou fazendo charme. Esse é meu tempo. Memorial de Maria Moura, meu último livro, é de 1992. Antes dele, tinha publicado Dora, Doralina, em 1975”. Raquel de Queiroz.


As próximas escritoras: Adélia Prado e Clarice Lispector
Para os leitores de Agatha Christie, estou preparando uma postagem...


Referências
A literatura portuguesa através dos textos, 2006.
Enciclopédia do Estudante. Literatura Universal, 2008.
Língua Portuguesa. Novas Palavras, Manual do Professor, 2010



domingo, 16 de junho de 2013

As 10 mulheres que marcaram a história da literatura Parte III

As 10 mulheres que marcaram a história da literatura


                              Parte III





Florbela Espanca

A pena de Florbela é guiada por um lirismo que pode variar entre o terno, o amoroso e a eclosão erótica. De acordo com Massaud Moisés (2006): “a poetisa confessa os transporte dos sentidos sem trava alguma, mas alcança conferir grandeza ética e estética aos sonetos precisamente porque os transfundi com sua riquíssima sensibilidade e imaginação. Noutras palavras: a febre dos sentidos encontra uma alta expressão literária e torna-se arte na melhor categoria (...)” A  poetisa ao usar artisticamente suas palavras consegue alcançar uma literariedade ímpar, conquistada por pouquíssimas escritoras portuguesas.
                
Poema Amar!
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mas este e aquele, o outro e toda gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
(...)
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... Pra me encontrar...





    Virgínia Woolf

A romancista inglesa deixou de lado os padrões tradicionais da narrativa em prol da renovação literária; adotando uma particularidade moderna ao utilizar novas possibilidades de recursos narrativos. Ela traz uma reflexão sobre a morte, técnicas que exploram a passagem do tempo, além da representação das conquistas da “mulher nova” na sociedade moderna com características intelectuais, independentes e liberais.
Trecho de sua obra Rumo ao farol
“Além disso, complacente e suave, enquanto suas abelhas Zuniam e suas moscas dançavam, a primavera estendia um manto ao seu redor, ocultava os olhos, desviava a cabeça e, por entre sombras que se deslocam e a chuva fina que cai, parecia ter-se encarregado de conhecer todas as tristezas da humanidade”.





Próximas escritoras: Simone de Beauvoir e Raquel de Queiroz.

Logicamente que há MUITAS MULHERES importantes para a literatura, eu tentei buscar apenas algumas para demonstrar com grande orgulho a deliciosa e difícil realização do ser “mulher” na sociedade.
Referências
A literatura portuguesa através dos textos, 2006.
Enciclopédia do Estudante. Literatura Universal, 2008.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

As 10 mulheres que marcaram a história da literatura Parte II

As 10 mulheres que marcaram a história da literatura

 Parte II



Irmãs Brontë (Emily, Anne e Charlotte)


Gostaria de abrir uma exceção... 

Eu coloquei no número três da lista, três irmãs inseparáveis (seria muito injusto separá-las) que conseguiram fazer seu sobrenome conhecido mundialmente. Nos romances podemos perceber as escritoras explorando o universo feminino. Algumas abordagens são demonstradas de maneira sombria e conflitante, chegando a romper com alguns padrões literários da época. Como prova disso, o “clássico” literário Morro dos Ventos Uivantes não foi bem compreendido, as personagens são apresentadas bem distantes da idealização do herói e heroínas que as pessoas estavam acostumadas a encontrar nos romances ingleses da época.


Citação de Charlotte Bronte sobre a escolha dos pseudônimos
 “Não gostávamos da ideia de chamar a atenção, por isso escondemos os nossos nomes por detrás dos de Currer, Ellis e Acton Bell. A escolha ambígua foi ditada por uma espécie de escrúpulo criterioso segundo o qual assumimos nomes cristãos, claramente masculinos, já que não gostamos de nos declarar mulheres, uma vez que naquela altura suspeitávamos que a nossa maneira de escrever e o nosso pensamento não eram aqueles que se podem considerar 'femininos'. Tínhamos a vaga impressão de que as escritoras são por vezes olhadas com preconceito e tínhamos reparado como os críticos por vezes as castigam com a arma da personalidade e as recompensam com lisonjas que, na verdade, não são elogios”



Sóror Mariana Alcoforado

Sóror Mariana constitui a epistolografia literária em Prosa. Na terceira carta, a epistológrafa demonstra com grande ímpeto e energia, sem nenhum constrangimento, a veemência do seu amor por Chamily. Essa atitude é um marco grandioso para a escritora, pois poucas mulheres na literatura tiveram a coragem de revelar, ou melhor, de despir sua alma a um homem. A religiosa portuguesa revela seu amor proibido na dualidade entre questões “(...) espirituais e carnais, sensuais e místicos, efetuada a ritmo de vaivém e de afirmações e negações contínuas, explica – se pela adesão, ainda que puramente atmosférica, do Barroco imperante no século” Massaud Moisés. (p. 202).
Trecho da Terceira Carta
Já não sei o que sou, nem que faço, nem o que desejo! Espedaçam-me mil comoções contrárias... Há lá mais lastimoso estado! Amo-te perdidamente e modero-me bastante para não desejar que sejas assim atribulado. (...) Ordena-me que eu morra de amor por ti!...Sim! Conjuro-te a que me socorras, para que, excedendo a fraqueza do meu sexo, acabe tanta hesitação com um ato de verdadeiro desespero.”

Próximas escritoras: Florbela Espanca e Virgínia Woolf

Logicamente que há MUITAS MULHERES importantes para a literatura, eu tentei buscar apenas algumas para demonstrar com grande orgulho a deliciosa e difícil realização do ser “mulher” na sociedade. 
Referências
A literatura portuguesa através dos textos, 2006.
Enciclopédia do Estudante. Literatura Universal, 2008.

domingo, 9 de junho de 2013

As 10 mulheres que marcaram a história da literatura

As 10 mulheres que marcaram a história da literatura

É pertinente lembrar que essa lista é uma escolha subjetiva, portanto, pode variar de acordo com o gosto ou o impacto que as escritoras causaram através de suas obras, em cada leitor. Boa leitura! 
Observação: Como a lista ficou muito extensa por causa dos comentários, imagens e trechos de obras,  irei fazer cinco postagens, cada uma com duas escritoras.


Safo
A mais antiga escritora cuja lembrança permanece até hoje em nossas memórias. “Elogiada por Platão e comparada a Homero, Safo foi a primeira poetisa a falar abertamente de amor e desejo sexual”. (Revista História da BBC, p.32) De acordo com alguns estudiosos, Safo era uma poetisa lírica no sentido real da palavra, pois escrevia poesia para ser cantada ao som de uma lira. Nascida na ilha de Lesbos, era uma professora inspiradora e extremamente inteligente que proporcionou às mulheres a dádiva do conhecimento em um mundo iletrado.
Fragmento de sua obra
minha língua congela, calada e dura; chamas acesas escorrem debaixo de minha pele, eu não enxergo mais, meus ouvidos zumbindo”.
“Sua obra instiga porque fala diretamente com o leitor e, por meio dela, temos um vislumbre provocante da vida na Grécia Arcaica. Mas seus versos mais famosos parecem servir a um tipo de propósito educacional: o de guiar e socializar outras mulheres mais jovens que ela. Conhecidos como “poemas de casamento”. Bettany Hughes.





Jane Austen
Foi a romancista que culminou a narrativa da época. Em sua prosa, a escritora constrói de forma sutil e elegante uma crítica a sociedade burguesa provinciana, buscando como público essa própria classe social ascendente. Porém, as pessoas se enganam quando dizem que a escrita de Jane não tem malícia. Ela conseguia manusear com poder magistral as palavras criando por meio de uma falsa inocência nos diálogos, uma malícia e volteios repletos de zombaria e cinismo. Querida Jane é até hoje inigualável!
Trechos de sua obra
“Todas as canções e provérbios fala da volubilidade da mulher. Mas talvez me diga que foram todos escritos por homens. Talvez diga. Sim, sim, por favor, nada de referências a exemplo de livros. Os homens têm toda vantagem sobre nós, ao contarem suas histórias. Eles têm usufruído de muito mais instrução; a pena tem estado em suas mãos. Eu não vou permitir que os livros provém nada”  
“A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho relaciona-se com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejamos que os outros pensassem de nós”. Jane Austen.

Logicamente que há MUITAS MULHERES importantes para a literatura, eu tentei buscar apenas algumas para demonstrar com grande orgulho a deliciosa e difícil realização do ser “mulher” na sociedade.
As próximas escritoras do Top 10 : Irmãs Bronte e Soror Mariana Alcoforado.

Referências
A literatura portuguesa através dos textos, 2006.
Enciclopédia do Estudante. Literatura Universal, 2008.
Língua Portuguesa. Novas Palavras, Manual do Professor, 2010.
Revista História da BBC, ano 1, edição nª 9.

sábado, 25 de maio de 2013

Seu nome é Nauro Machado, você o conhece?


Quero te apresentar o grande poeta Nauro Machado!





Hoje senti uma imensa vontade de ler os poemas do meu poeta preferido no mundo inteiro, Nauro Machado. A primeira vez que fiz a leitura dos poemas desse escritor, pude saborear o seu trabalho através da edificação de suas palavras para finalmente alcançar o âmago de sua significação. Nunca esquecerei o dia em que por um pequeno momento eu, enquanto leitora e admiradora, pude me observar diante do autor do poema O Parto, onde ele descreve que o “ser poeta difere do estar poeta”.


O Parto


Meu corpo está completo, o homem - não o poeta.
Mas eu quero e é necessário 
que me sofra e me solidifique em poeta, 
que destrua desde já o supérfluo e o ilusório 
e me alucine na essência de mim e das coisas, 
para depois, feliz e sofrido, mas verdadeiro, 
trazer-me à tona do poema 
com um grito de alarma e de alarde: 
ser poeta é duro e dura 
e consome toda
uma existência.

Meus amigos e eu tivemos o prazer de sermos convidados pelo nosso professor acadêmico para prestigiarmos no Centro de Criatividade Odylo Costa Filho em São Luís, uma palestra em homenagem a Nauro Machado. Eu, como uma verdadeira “tiete”, não pensei duas vezes e fui assistir. Chegamos muito cedo ao evento, e para nossa surpresa ele já estava no local. Essa artimanha nossa nos rendeu a uma sessão de fotos exclusivas, além de trocarmos carinho com nosso querido Nauro Machado!! E para completar a nossa felicidade, a escritora Arlete Nogueira, esposa do Nauro, também estava no local. Foi realmente um lindo dia! 
Outro poema que me remete a uma reflexão conflituosa sobre o comportamento da sociedade em que vivemos é o poema Fila Indiana.

FILA INDIANA

Um atrás do outro, atrás um do outro,
ano após ano, ano após outros,
minuto após minuto, século
após séculos, continuam

(a conduzir seus madeiros
na perícia dos próprios dramas).

um após do outro, atrás um do outro,
anos após ano, ano após outros,
minuto após minuto, século
após séculos, e de novo

um atrás do outro, atrás um do outro,
até a surdez final do pó.
Nauro Machado.

Gostaria de acrescentar o quanto é muito triste o fato de que mesmo aquelas pessoas que se dizem admiradoras da Literatura não conhecem o grande poeta Nauro Machado. Porém, não devemos nos culparmos na íntegra, infelizmente as nossas escolas não fazem a leitura das obras do Nauro e poucos são os docentes que se quer ouviu falar dele. Para os interessados, ele nasceu em São Luís do Maranhão, em Agosto de 1935 e o melhor, quem mora em São Luís ou vem a passeio pode ter a sorte de “esbarrar” de vez em quando com ele pelas ruas do Centro Histórico. Nauro possui um conjunto obras literárias dignas de consagração, originárias de uma mente extremamente fecunda.
Alguns de seus livros: